O final do ano é uma oportunidade de assumirmos dois olhares: um para o que aconteceu e outro para o que queremos que aconteça.
Os meios de comunicação nos apresentam retrospectivas de um ano inteiro. Porém, percebemos que quase nunca vemos cenas de acontecimentos positivos que nos marcaram por sua beleza ou pela bondade de pessoas e comunidades que tiveram gestos de amor e solidariedade, ou, até mesmo, pelas lições que aprendemos ao longo do ano. Não. Só vemos cenas tristes, catástrofes, maldades, roubos e assassinatos, desvios de comportamentos, mortes, fome e miséria.
Desde que começaram a exibir retrospectivas, o sentimento que nos provoca é o de desencanto. É um olhar para trás que só enxerga o negativo, a dor, o sofrimento, como se isso fosse a tônica de todo um ano vivido.
Nestes dois últimos anos a mídia se esmerou em mostrar covas enfileiradas de mortos pela Covid. Não que não tenha sido muito triste enfrentar essa pandemia, causado sofrimento e saudade em milhões de pessoas mundo afora. Mas é um olhar equivocado, míope, que só enxergou o que deu ‘ibope’, o que vendeu de patrocínio, o que chocou.
Sabemos que uma cena de um jovem ajudando a uma velhinha a atravessar a rua não dá mídia, é comum, cotidiano demais. Então, chegamos à conclusão de que o comum, o normal, o que acontece sempre são cenas do bem, atos heroicos de quem enfrenta o dia-a-dia tendo boas atitudes, respeitando os outros, sendo honestos, trabalhando e cuidando da família.
Seria pedir demais que vidas comuns, heróis anônimos, gestos de amor, respeito e caridade devessem ser divulgados pelas mídias sociais, TVs, rádios e jornais? Quem sabe isso resgataria nossa autoestima e despertaria em nós a ressonância humana necessária para nos comprometermos com nossos semelhantes e não perdemos a esperança de dias melhores e a coragem de apreender, crescer e mudar?
Não podemos encerrar nosso ano tomados por mágoas, ressentimentos e lembranças tristes. Afinal, apesar de tantas perdas, aprendemos o valor do abraço, do aconchego e até do aperto de mãos; aprendemos a importância da família, do tempo dedicado aos filhos e aos pais idosos, o diálogo ao redor da mesa, no sofá da sala, nos trabalhos da escola. Aprendemos o valor da vida, o gosto de estar vivo. Retiremos das dificuldades o aprendizado necessário para criar um novo dia, com proatividade e não saudosismo.
Para que possamos ter o olhar para o futuro em direção aos nossos sonhos, é preciso um olhar que resgate as bênçãos recebidas. Elas nos ensinarão a amar e perdoar. Amar produz em nós “ocitocina”, o hormônio da felicidade. Perdoar nos purifica e nos liberta. Ame e perdoe para ter um…
Feliz Ano Novo!




















