Dica de livro do blog: Lâmpada Queimada, Joel Reis

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Estou na Padaria Paraíso, no final da Avenida Rio Branco. No largo da Matriz, antiga casa de Dr. Jacy de Figueiredo.

Enquanto aguardo o pão na chapa com leite frio e café quente, vejo um homem, cabelos brancos, andando de um lado para outro.

“Chiamma, Fiamma, Fiammeta”. E conversa com as atendentes. Eu só observando.

Quando a moça trouxe meu pedido, perguntei: “Quem é aquele rapaz?” (ele já tinha saído da padaria).

“É o ‘seu’ Marcos, desde o primeiro dia que ele veio, não esqueceu meu nome”, respondeu, sorrindo, a balconista.

A hora que ela disse ‘seu’ Marcos, tive certeza.

Era Marcos Resende, diretor e produtor de TV, publicitário, historiador, poeta, libertário, jornalista, escritor.

Por intermédio do ex-deputado e prefeito Eduardo Ottoni, tive o prazer de conhecer essa figura. Com quem venho mantendo contato, ainda que breve, pela internet.

Ele me contou o motivo do esparrame: “A moça em questão tem o italiano nome de Fiamma, que, como sabemos, significa CHAMA. Eu a CHAMO carinhosamente de Fiammeta, usando o sufixo italiano, que também deu origem a Marieta, Julieta, Concetta. Quando lá chego, faço aquele esparrame que você viu, e elas, no principio, se assustavam, mas, creio que agora já perderam o medo e com certeza me veem como um cara fora do esquadro. Para elas, quebra a monotonia”.

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Marcos me indicou a leitura do presente livro. Lâmpada Queimada, de Joel Reis. Encontrei um exemplar da primeira edição na Estante Virtual e adquiri.

Aos poucos estou conhecendo Joel Reis. Ele conta histórias da Varginha antiga, da década de 1930. O livro é de 1938 e está em condições razoáveis.

Vira e mexe encontro nomes conhecidos, como o jovem José Pinto de Oliveira, que virou escola rural em Varginha.

Histórias de infância que revelam, como pano de fundo, como era Varginha.

“O seu calçamento typo ‘pé de moleque’, illuminação a gaz falhando sempre, a Casa da Instrução, a velha cadeia e o Curral do Conselho onde se recolhiam animaes imprevidentes (…)”.

Um livro para se degustar com cuidado – até porque as páginas que estão quase se dissolvendo.

E também para ligar as histórias aos personagens. A leitura é densa porque se trata de um livro antigo. Mas é gostosa, porque traz narrativas ingênuas, de um tempo distante, quando não fazia tanto calor em Varginha.

Os recursos com a venda do livro foram prometidos ao Asilo de Invalidos de Santos e à Obra de Assistência aos Mendigos de Varginha (naquela época a cidade tinha mendigos; hoje são pessoas em situação de rua).

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Ao mesmo tempo, estou lendo as memórias de Marcos: “Um pouquinho da história de Varginha, que vivi na pele e no tudo de bom que esta cidade foi.” Muito bom! Na próxima semana eu conto.

Respostas de 3

  1. Quero ler esse livro. Você me empresta, ou onde o adquiro? Bjs Encontro aqui em São Paulo?

    NOTA DO BLOG: Comprei na Estante Virtual, pela internet. Estando aqui, deixo você ler enquanto tiver vinho sobrando na sua adega.

  2. Marcos Madeira, que interessante matéria, sobre seu chara Marcos Resende.
    Amigo de longas datas.
    Varginha já passou da hora,de fazer uma homenagem, a um filho tão ilustre.
    Um verdadeiro gênio, um orgulho para nós.
    Sempre trabalhou fora,como você mesmo disse.Elevando o nome de nossa cidade.
    Não sei o que a Câmara Municipal está esperando.
    Fica a dica.
    Abraços amigo.

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