Quem nunca se perguntou como funciona uma sessão de psicografia? A experiência, vivida por centenas de pessoas em Varginha, surpreende desde a chegada até os momentos finais. Abaixo, detalhes de como foi participar de um encontro espiritual repleto de emoção, fé e esperança.
Centenas de carros
Sábado, 13/9, 9h30. A hora que estava chegando ao endereço, vi, de longe: centenas (sem exagero) de carros estacionados nas ruas do Bairro Ribeiro. A sessão seria realizada em uma casa noturna de eventos da cidade. Ao entrar, encontramos o salão completamente lotado — as pessoas sentadas em cadeiras de plástico. No palco, uma mesa coberta por uma toalha branca igual ceia de Natal de vó. Sobre ela, 17 livros psicografados pelos médiuns que receberiam as mensagens.
Receba notícias do BlogdoMadeira no seu celular
Matéria publicada originalmente em 14 de setembro de 2025
Ao entrar, cada participante recebia uma ficha numerada e preenchia uma papeleta com ajuda dos voluntários do Centro Espírita Amor e Caridade. Informações da pessoa falecida para a qual gostaria de receber uma mensagem — nome, grau de parentesco, tempo desde o falecimento, nomes dos filhos e de seus pais.
Ao lado do salão, havia uma lanchonete improvisada onde eram vendidos água, refrigerante, salgados, doces e café — foi o que mais bebi para passar o dia.
Voltando ao salão, depois do lanche, sentamos na cadeira de bar (eu estava acompanhado de minha mãe: fomos à sessão para tentar receber uma mensagem do meu pai, falecido há exatamente 6 meses (14/4/2025).
O público era formado mais por mulheres. Uma situação de fragilidade, pessoas com a esperança de receber a mensagem de um ente que faleceu.
Siga o BlogdoMadeira no Google News
Em nenhum momento os organizadores pediram nem um tostão de recursos. Escolha o nome: contribuição, esmola, dízimo. O único pedido feito aos participantes era a doação espontânea de alimentos não perecíveis, destinados a famílias em situação de vulnerabilidade atendidas pelo centro. Mas quem não doasse, podia entrar do mesmo jeito. Mesmo não sendo espírita.
Mais ou menos ao meio-dia começou a sessão. Os médiuns Nilton Stuquí e Diego Garla sentados à mesa, cada um acompanhado por uma voluntária. O ambiente, então, se transformava: silêncio (quase) total. Cartazes eram erguidos pedindo respeito, indicando que aquele era um espaço de meditação, silêncio e oração.
Voluntários do CEAC davam palestras durante o processo, com mensagens cristãs e reflexões. Um dos momentos mais bonitos. Pessoas doando seu tempo e conhecimento para quem procurava alento. Todas as palestras, no fundo, tentavam confortar as pessoas.
Entre uma palestra e outra, música clássica para acalmar. Olho para meu lado esquerdo e percebo que a moça está chorando. Do lado direito, mais duas mulheres com os olhos marejando. Começa a tocar Ave Maria. Lembro do meu pai. É a minha hora de abrir a boca a chorar.
As mensagens dos espíritos
Os médiuns posicionavam a mão esquerda sobre o rosto e escreviam com a direita, parecendo Chico Xavier. O fizeram por quatro horas seguidas. Um deles usava uma toalha para enxugar o suor.
No fim da tarde, o voluntário Rogério Fávaro me mostrou, com a melhor cara do mundo: mais de 420 kg de alimentos arrecadados.
Quando o papel traz a alma
Depois das 16h, os médiuns começaram a ler as cartas. A maioria das mensagens é parecida. Todos dizem que estão bem, que foram recebidos por algum parente. Que estão em um lugar bom, onde tudo é um pouco parecido.
Mas, em várias mensagens, algumas observações particulares chamam a atenção. Uma mensagem diz:
“Vou ajudar no casamento como puder, daqui.” Como o médium saberia desse acontecimento?
E outras mensagens, com detalhes que não eram de conhecimento dos médiuns.
É nesse momento que a emoção transborda. Um familiar comentou para todos, em voz alta e sorrindo até as orelhas, que a assinatura no fim da carta era igual à que a pessoa usava em vida.
Choro e fé
Fui para o lado de fora tomar um ar. Duas mulheres se sentam ao meu lado. Uma começa a ler a carta para a outra. Escuto parte da leitura e fico impressionado com a riqueza de detalhes. As duas choram copiosamente.
Do lado de dentro, o choro toma conta do salão, entre soluços e abraços.
O ambiente se enche de lágrimas, mas também de alívio. Mesmo os que não receberam cartas, sentem-se envolvidos por algo maior. Uma força, uma presença. Talvez fé. Talvez saudade.
O que fica é uma certeza: a dor da perda é grande, mas o amor é maior.
P.S.: Minha mãe e eu não recebemos mensagem do meu pai. Mas saímos dali mais leves. Era um ambiente acolhedor, nos sentimos bem de participar. Obrigado ao CEAC. A gente volta na próxima.
Veja também
Centro Espírita de Varginha promove curso gratuito de mediunidade

Jornalista profissional (formado em Comunicação Social e Direito), radialista e cerimonialista. Escreve sobre política desde 1993. Fundador do Jornal Folha de Varginha e Blog do Madeira. Servidor municipal. Comendador do Mérito Legislativo de Minas Gerais. Diretor de Comunicação da ACIV (Associação Comercial de Varginha) e vice-presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Varginha). Foi membro da Academia Varginhense de Letras. Diretor da Abraço e do Voluntariado Vida Viva. Comentarista político da Rádio Clube de Varginha (99,3 FM). Organizador do livro “Narrativas de Nico Vidal”. Autor do livro “Causos da Política (acontecidos em Varginha)”. Apresenta o Blog ao Vivo e o Podcast Varginha em 1 minuto ou mais. Cozinha pra família nos finais de semana (às vezes fica bom). Cruzeirense.































Respostas de 8
Você descreveu muito bem! Foi emocionante do início ao fim. O tempo todo que fiquei lá, mentalizei que as pessoas mais necessitadas recebessem, porque realmente muita gente lá precisava mais do que eu. E ver a felicidade do outro preencheu meu coração de forma tão verdadeira que superou o meu desejo de ter vivido aquilo eu mesma. Foi transformador.
NOTA DO BLOG: Obrigado, Maísa. E olha que não fui como jornalista, fui com minha mãe para tentar receber uma mensagem do meu pai. Mas foi uma experiência tão intensa, que decidi escrever esse relato. Obrigado e abraço!!
Você descreveu exatamente como se passa! Já participei de uma dessas sessões, inclusive em Ubatuba, cidade que meu pai adorava e a médium me disse que meu pai esteve presente na sessão e mandou dizer que estava bem, mas que o tempo era pouco para ele falar. É pq geralmente as mensagens recebidas são para aqueles familiares estão sofrendo muito com a partida dos entes queridos.
Sou espírita e, por isso, sei que a comunicação acontece de lá para cá. Querer receber uma mensagem não é suficiente para que ela aconteça. A Espiritualidade Superior avalia a necessidade da comunicação, o estado espiritual em que se encontra o comunicante, o merecimento de ambos (comunicante e comunicado) entre outros. Dessa vez tive a felicidade de receber uma mensagem de meu querido marido Hélio, que desencarnou há 1 ano e 1 mês e que está bem onde se encontra. Fiquei muito feliz e agradecida por ter a oportunidade de conhecer e estudar essa maravilhosa e consoladora Doutrina Espírita!
Que maravilha!
Que maravilha! Não sou espírita, mas me interessei pela doutrina. Não pela questão de tentar ouvir um ente querido falecido. Mas pela caridade, pelo desejo de fazer o bem. Parabéns ao centro espírita e seus voluntários!!!
Evento incrível, quem recebe a manifestação é como um bálsamo que passa no coração e conforta, principalmente as mães. Porisso o público era de mais mulheres!
Foi maravilhoso! Eu também não recebi a carta porém, fico feliz pelas pessoas que receberam, tudo tem o seu tempo! Assim seja!
Emocionante matéria, muito bonito. Sabe quando terá novamente, blog?
NOTA DO BLOG: Ainda não. Assim que soubermos, vamos publicar.