Novas denúncias apontam supostas violência obstétrica e negligência no Hospital Regional do Sul de Minas

Foto: Google Street View

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A repercussão da investigação sobre a morte de uma mulher por complicações pós-parto no Hospital Regional do Sul de Minas (HRSM) desencadeou uma onda de desabafos de outras pacientes. Relatos enviados à reportagem do Blog do Madeira por leitoras descrevem supostas condutas inadequadas durante o atendimento na maternidade, incluindo alegações de agressões verbais, manobras contraindicadas e demora no atendimento de emergência.

Relatos de leitoras sobre o atendimento na Maternidade do HRSM

“Chorava de dor e ouvi que era pra calar a boca”, relata paciente

O primeiro relato é de uma mãe que fazia acompanhamento de gestação de alto risco por hipertensão e diabetes gestacional. Segundo o depoimento encaminhado ao portal, mesmo com indicação médica para cesárea de emergência devido à pressão arterial elevada e ao diagnóstico de pré-eclâmpsia, ela teria aguardado em observação até o início do trabalho de parto.

“Cesárea de emergência uma ova. Nem a cara do médico eu vi. Quando foram me avaliar, minha filha já estava nascendo sozinha”, afirma a leitora.

A paciente relata ainda que complicações na saída da placenta exigiram procedimento de remoção manual e alega ter sofrido violência verbal por parte do profissional de plantão:

  • Pressão psicológica: A leitora afirma que o profissional mandou que ela calasse a boca durante as dores e que ameaçou deixá-la sem atendimento se não colaborasse.

  • Alegação de procedimento proibido: A paciente relata ter sido submetida à aplicação de pressão manual sobre o abdômen (prática conhecida como Manobra de Kristeller, contraindicada pelas diretrizes do Ministério da Saúde).

  • Relato de sequelas: A mãe atribui ao parto traumático o posterior diagnóstico da recém-nascida com torcicolo e assimetria craniana, condições que, segundo ela, exigiram tratamento fisioterapêutico.

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“Na hora a gente obedece a tudo que o médico fala, porque eu queria que minha filha nascesse. Mas, depois que cheguei em casa, fiquei 20 dias chorando”.

Relato aponta recusa de atendimento no plantão

Outro depoimento enviado à reportagem expõe a alegação de demora no atendimento e desconsideração do histórico clínico da gestante. Em 2022, ao dar entrada na maternidade com dores intensas e histórico de cesárea anterior, a paciente afirma ter alertado sobre a impossibilidade do parto normal.

Conforme o relato, apesar dos episódios de dor e sangramento durante a madrugada, o médico de plantão teria se recusado a realizar a intervenção cirúrgica solicitada:

  • Relato de omissão: A paciente afirma ter ouvido o profissional orientar a equipe a aguardar a troca de plantão enquanto ela aguardava atendimento.

  • Intervenção posterior: A cesárea só foi realizada após a entrada da equipe seguinte, às 7h da manhã, quando o cirurgião constatou a posição pélvica do bebê e a inviabilidade do parto via vaginal.

  • Pedido de desculpas: A leitora relata que, no dia seguinte, o primeiro médico teria reconhecido o equívoco na conduta adotada.

O que diz o Hospital Regional (HRSM)

Questionado sobre os relatos apresentados pelas pacientes, o Hospital Regional do Sul de Minas não comentou os episódios individuais, mas enviou nota oficial reforçando os canais formais para registro e apuração de denúncias:

“Informamos que qualquer denúncia relacionada às nossas operações, serviços ou condutas deve ser realizada exclusivamente pelos canais oficiais, quais sejam: o site oficial da Instituição (área da Ouvidoria) e os QR Codes disponibilizados em pontos estratégicos pelo hospital. Todas as denúncias são tratadas com sigilo e encaminhadas para apuração interna ou às autoridades responsáveis.”

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Nota da Redação

Todo o material citado nesta reportagem — incluindo áudios, mensagens e documentos — está devidamente arquivado e sob custódia da redação do Blog do Madeira para a comprovação da veracidade das informações. Em respeito à legislação vigente e ao sigilo da fonte (Art. 5º, XIV da Constituição Federal), a identidade das leitoras é mantida em absoluto sigilo.

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