A MULHER DE VERMELHO

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Ela se Punha teimosamente à frente do ônibus-circular a bater raivosa na lataria exigindo, aos berros, que o motorista abrisse as portas. E ameaçava retirar, à força, o marido que lá dentro se achava junto aos demais passageiros, surpresos com a cena. Mas o motorista não atendia o apelo e roncava o motor do veículo pronto para a arrancada, de sorte a ver-se livre da criatura descontrolada. Ao mesmo tempo, embora mais frágil, a filha adolescente da mulher de vermelho puxava a mãe a pedir-lhe calma e que se controlasse evitando tamanho escândalo, enquanto os presentes ouviam: “Miserável! Canalha! Vou entrar aí dentro de qualquer maneira e te estrangular, seu maldito!”
E o homem, pivô do acontecimento, por sua vez pedia ao motorista que não abrisse as portas e tratasse de seguir viagem de uma vez.
Por questão de prudência, o ônibus não podia andar já que a criatura deitara-se no asfalto, na frente do coletivo, a vociferar transtornada. Na ocasião, seu traje vermelho parecia acentuar ainda mais tamanho drama.
Por fim, certamente levada pelo cansaço de tanto empenho sem resultado, e também ouvindo a filha em prantos, resolveu afastar-se vendo o ônibus ir-se. E deixou-se ficar sentada no meio-fio em choro convulsivo a soluçar murmurante: “Adeus, seu miserável,… ingrato… adeus, meu amor infiel… “

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J. Campos (da Academia Varginhense de Letras)

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