Por Keila Costa
Foi tanto o ‘frisson’ em torno do filme que entrei no cinema naquela ansiedade para confirmar o tão aclamado e premiado longa de Kleber Mendonça Filho. De repente, descortinou-se na tela uma certa aridez emoldurada por plantações infindas de cana-de-açúcar, enquanto o motorista do fusca amarelo acertava o passo em suas sandálias de couro e o cadáver acabava de agonizar na poeira do posto de gasolina. O cheiro exalou para fora da tela.
Sem dúvida, o que chama atenção em ‘O Agente Secreto’ é a riqueza de detalhes, nem sempre acentuados pela câmera, mas enfatizados pelos sentidos. Os personagens saídos de um mundo real recifense; a cidade como personagem com seu rio Capibaribe, o tubarão comedor de pernas, tão essencial quanto a lenda da perna cabeluda. E claro, o frevo fervendo no carnaval.
O filme tem narrativa lenta, monotonia de quem desentende os caminhos da vida, os dentes que faltam nas bocas sorridentes, os carros engolidos pela escuridão, as mortes e vidas esquecidas. Mas claro, tem clímax no final nas balas perdidas certeiras. Wagner Moura discreto na interpretação, quase um espectador de si mesmo. Boquiaberto com sua morte anunciada. Certa carga diminuta de dramaticidade, indignação.
Saí da sessão na busca de entendimentos, razões de reconhecimento. Hesitei. Depois as cenas começaram a pular na minha mente e tudo fez sentido; a trama sempre surreal da violência gratuita, a sede de poder, as ideologias adoecidas. Um agente indigente.
P.S.1: A jornalista Keila Costa assistiu ao filme no Cinemark de Varginha. Havia 12 pessoas na sala de exibição.
P.S.2: Hoje (11/2) é o último dia da promoção de ingressos a 10 e 12 reais.
Keila Costa é jornalista, mestre em Análise do Discurso.
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Jornalista profissional (formado em Comunicação Social e Direito), radialista e cerimonialista. Escreve sobre política desde 1993. Fundador do Jornal Folha de Varginha e Blog do Madeira. Servidor municipal. Comendador do Mérito Legislativo de Minas Gerais. Diretor de Comunicação da ACIV (Associação Comercial de Varginha) e vice-presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Varginha). Foi membro da Academia Varginhense de Letras. Diretor da Abraço e do Voluntariado Vida Viva. Comentarista político da Rádio Clube de Varginha (99,3 FM). Organizador do livro “Narrativas de Nico Vidal”. Autor do livro “Causos da Política (acontecidos em Varginha)”. Apresenta o Blog ao Vivo e o Podcast Varginha em 1 minuto ou mais. Cozinha pra família nos finais de semana (às vezes fica bom). Cruzeirense.





























Respostas de 2
Adorei sua análise. Assisti logo que entrou em cartaz, antes do furor dos prêmios ganhos e a ganhar. Saí do cinema entre o não gostei e o não entendi. A mente, em frênesi, repassando as cenas. O entendimento foi chegando junto com o gostar, só se completando dias depois. Essa é a maravilha que o bom cinema, literatura, artes, causam em nós, essa revolução que tira a mente do cômodo. As sinapses vão acontecendo, o guarda-chuva vai se abrindo. Nada chega de bandeja.
Parabéns pelo texto!!
Assisti esse filme o! Não sou crítico de cinema , mas achei um m. Um enredo no minino , muito fraco , povo feio e artistas superficiais… Talvez seja essa a novidade do filme , o ator principal meramente isso que a Keila falou ” um espectador de si mesmo” deu saúde da dupla do auto da compadecida!! E aquela perna correndo! Que bosta! Kkk.