Um negócio da China

"Colaborador do blogdomadeira JB Tatu."

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Uma terra totalmente devoluta serviu para um lucro extraordinário a um homem esperto. Ela estava há muito tempo a venda, e, ninguém se interessava por ela.

Cristiosório, um homem esperto vindo de onde ninguém sabia, comprou-a por um preço irrisório. Pagou em moeda corrente a quantia de oitocentos mil cruzzeiros. Todos ficaram impressionados pela compra. Jamais imaginaram que um forasteiro tivesse a coragem de investir numa área improdutiva. A terra era infestada por cupins. Aqueles que parecem com forno de barro. Eram muitos. Centenas deles. Os tratores da época eram insuficientes para a derrubada delas. Máquinas mais possantes não existiam por aqui.

 

Cristiosório, depois de algum tempo, fez chegar à cabeça dos moradores, que entre os cupins estava escondido um tesouro enterrado em um deles.

 

A notícia correu de boca em boca. Se espalhou igual a rastilho pólvora. Homens, mulheres e crianças se apoderaram de enxadas, picaretas, cavadeiras ou qualquer tipo de ferramenta. Começaram como loucos a derrubar aqueles cupins, na esperança de alguém encontrar um tesouro valioso imaginário escondido.

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A cada dia que passava mais e mais pessoas iam para aquele local na esperança de ficar rico. Era como se fosse à corrida em busca do ouro no velho oeste. Histórias contadas em muitos livros.

Cristiosório estava satisfeito com sua ideia. Estava longe daqui. Muito longe, aliás. Enquanto os homens iam derrubando aquelas pequenas montanhas, a terra ia ficando limpinha. Os cupins a cada dia que passava eram esmiuçados, viravam pura terra espalhadas pelo local.

 

Seis meses depois o homem apareceu. A esperança de encontrar o que havia sido noticiado, não passou de boato. Com o suor de muitos cidadãos, o terreno ficou plaino, sem nenhum cupim sobre ela e nada de tesouro.

Dois anos mais tarde, a terra que era devoluta, passou a ser uma propriedade interessada por muitos. Foi vendida por mais quinze milhões de cruzeiros a outro comprador.

Foi realmente um negócio da China. O pessoal já nem lembrava mais do ocorrido.

 

JB Tatu é radialista, corretor de imóveis e historiador de causos improváveis acontecidos em Varginha. Conta a história, mas não revela o santo.

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