Turismo nos hermanos

Mochilando: crise na Argentina aumenta turismo no país vizinho

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Uma garrafa do vinho Casillero del Diablo, bastante consumido no Brasil, custa a partir de 70 reais.

Em qualquer supermercado da Rede Dia, que tem várias lojas em Buenos Aires, o mesmo rótulo custa, no máximo, 25 reais.

Isso não é lá uma novidade.

A crise na Argentina ocorre desde a crise de 2002, quando os argentinos saíram às ruas para protestar com os panelazos.

Mas o fenômeno foi descoberto pelos brasileiros há uns 10 anos.

Tanto que a Argentina é o país de entrada para a primeira viagem internacional dos brasileiros.

E, nesse momento, o país vizinho vive o pior momento de sua crise. O que significa preços melhores para os hermanos.

Como resultado, nesse momento ocorre uma “invasão” de turistas brasileiros no país, principalmente na capital portenha, que tem preços melhores do que em outras regiões, como Bariloche e Ushuaia.

Pra economizar

Algumas dicas para aproveitar os preços e fazer uma viagem barata.

Evite restaurantes “pega-turista”. Almoce no centro de BA ou pergunte para o porteiro do hotel onde ele almoça. Normalmente, algumas esquinas para trás do ponto turístico que você acabou de visitar.

Mas não é por isso que você não vai conhecer pelo menos um bom restaurante. O Don Julio é conhecido pela carne sempre macia, mas o preço é relativamente caro (300 reais uma refeição com 1 garrafa de vinho e sobremesa para duas pessoas).

 

 

Em Puerto Madero você encontra restaurantes relativamente bons, com preços justos. A hora que você se senta, o garçom já traz pães [quentinhos] acompanhados de chimichurri, azeite, manteiga etc.

A refeição já é fechada. Normalmente tem uma entrada (empanadas, por exemplo), um prato principal (invariavelmente será um belo pedaço de bife assado na parrilla acompanhado de batatas fritas e/ou salada de alface e tomate). E mais a sobremesa (churros, crepe, petit gateau com sorvete).

Mais uma taça de Malbec, refrigerante ou suco para cada pessoa. A conta não deve passar de 200 reais para quatro pessoas.

Passeios

 

Você pode pegar o bus turístico, com fone de ouvido e áudio orientando os turistas pelos locais por onde passa. Ele tem 2 andares e para em 22 pontos turísticos. Você escolhe um local pra visitar, desce, passeia e depois volta para o mesmo ponto para pegar outro ônibus. É só apresentar o ticket. Custa 150 reais (24 horas) ou 170 reais (48 horas).

 

 

Buenos Aires é um local muito fácil de se locomover. Se preferir, compre o cartão do Subte (metrô), custa 1 real e 50 centavos. Cada viagem custa 50 centavos (!). Você sai em outro bairro, passeia a pé e depois retorna para o hotel ou vai para outra região. Dá pra visitar, de boa, uns 3 pontos turísticos por dia.

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A tradicional foto em frente à Casa rosada não pode faltar. Foto: Marcus Madeira

 

O centro histórico, na Plaza de Mayo, tem vários bancos, igrejas, o Cabildo (prédio histórico que resiste ao tempo. Foi o centro administrativo e prisão. Hoje é museu e tem uma feirinha de lembranças artesanais). E a Casa Rosada. Se você se planejar, consegue participar da visita guiada, gratuita. Reserve com antecedência e verifique se as visitas estão ocorrendo aqui.

Locais turísticos

 

O Cemitério da Recoleta é um dos principais pontos turísticos de Buenos Aires. Há pouco, começaram a cobrar pela entrada (60 reais por pessoa). É um passeio bonito, considerando-se a beleza dos túmulos, da época áurea da Argentina (o país foi o sexto mais rico do planeta no começo do século XX, quando era uma potência agrícola).

 

 

 

É quase obrigatório ir a estabelecimentos como a Pizzaria Güerrin (Avenida Corrientes, onde ficam os teatros de BA) ou ao Café Tortoni.

No caso da pizzaria, o preço é justo e o sabor da pizza é delicioso (eles não economizam no queijo). O problema é a quantidade de clientes. A fila que se forma é enorme. É um local histórico, ampliado recentemente, o que permite encontrar mesas depois de passar por um longo corredor (compraram uma loja do lado de trás do quarteirão). Muita gente prefere comer em pé, no balcão e vazar.

No caso do café, é o equivalente à Confeitaria Colombo, no Rio de Janeiro. Um local bonito, da época de ouro (ou de prata) da Argentina, onde se reuniam os políticos, escritores e músicos. Mas é caro pra dedéu. Além do problema da fila de turistas. Se tiver sorte, entre e experimente um café, churros com chocolate, empanadas. Tem xícaras com preço legal que são um presente muito bacana.

Los 36 Billares: praticamente vazio, com a mesma qualidade do Café Tortoni, e preço pela metade (Foto: Marcus Madeira)

 

Se você atravessar a 9 de Julio e andar 2 quarteirões, vai encontrar o Los 36 Billares. Fica na mesma rua do Tortoni (Avenida de Mayo). É outro café histórico, mas que não foi descoberto pelos turistas. Por esse motivo é um dos locais onde o ator Ricardo Darín vai tomar um café e algumas doses de Fernet com Coca-Cola. Quando fui lá, a garçonete disse que ele frequenta o local direto. E, por sinal, tinha saído dali tontinho, na semana anterior.

 

Andar a pé

 

 

Se você tiver tempo, tire um dia para andar a pé e se localizar. Uma boa ideia é fazer isso no primeiro dia da viagem. Estude os locais mais próximos e conheça a cidade.

Viaje na arquitetura tradicional (europeia) ou moderna (Ponte da Mulher, em Puerto Madero, bairro revitalizado e que hoje é uma das regiões mais visitadas da cidade).

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Em cada esquina tem um café, alguns modernos, outros tradicionais, parecidos com bistrôs. Em todos você encontra idosos, todos bem vestidos, com terno, chapéu, lendo jornal (eu desconfio que o governo paga um bolsa-café para eles fazerem parte do cenário pra turista ver).

Ou seja, apesar da crise, a cidade continua funcionando. Em boa parte, graças ao turismo.

Mas muitas lojas estão fechando. Um restaurante bom, charmoso e barato que conheci quando visitei BA pela primeira vez com minha esposa (2014) fechou quando retornamos em 2018 com a família. Esquina de La Garufa ficava na 9 de Julio, considerada (pelos argentinos) a avenida mais larga do mundo. Pelo preço e qualidade, jantamos ali quase todas as noites. Tinha um chorizo (o contrafilé deles) sensacional e barato. Cerveja Quilmes gelada (o que é meio difícil ali), empanadas quentinhas e muitos doces. Sucumbiu à inflação de 38% ao ano.

No começo do texto, falei do vinho. hoje, pode-se trazer até 16 garrafas por pessoa (12 litros). Atenção: guarde todas as notas e recibos, porque o valor das compras não podem passar de 500 dólares. Para guardar, use camisetas (meias são uma beleza, hehehe), plástico-bolha ou até jornal. Cuidado para não ter dor de cabeça quando chegar em casa.

Mais preços

Refeição em restaurante comum (sem ser turístico): 8 reais;

Cerveja Quilmes litrão: 7 reais;

Doce de leite 400 gramas: 6 reais;

Alfajor Milka mousse triplo: 4 reais no supermercado (aqui vai outra dica: evite aquelas marcas famosas que são mais secos. Compre alfajores nos quiosques espalhados pela cidade. Procure as marcas locais, o doce de leite é cremoso de verdade e o alfajor é muito mais macio e gostoso. Além de ser mais barato);

Táxi: do aeroporto Ezeiza até o centro da cidade, 40 reais (30 quilômetros). Mesmo trajeto, em São Paulo, fica em 80 reais.

Nem tudo são flores

 

Se por um lado os preços estão superatrativos, por outro a viagem ainda sai caro. Procurei em vários aplicativos e encontrei o melhor preço no Passagens Imperdíveis: 700 reais ida e volta (mas aí você encontra o empecilho de eventualmente ter de trocar o dia da viagem por causa da promoção).

Hotel sai por aproximadamente 30 a 50 dólares a noite.

Pacotes saem por 5 mil reais (passagem de avião com bagagem + 7 dias em hotel 3 estrelas com café da manhã).

Nesse caso, o melhor é procurar uma agência especializada, para encontrar o melhor preço para você.

Em Varginha, fale com o pessoal da Younique Travelling.

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