Bravorildo, dono de bar com mais de 50 anos de atividade, tomou uma decisão radical. Depois de muitos calotes e tombos de pessoas que jamais ele imaginava, resolveu de uma hora para outra cortar o famoso “pendura”.
Palavras como: pago depois, amanhã a gente acerta e pendura essa pra mim, deixaram de existir pra ele. Bravorildo, sem que ninguém esperasse, tomou essa decisão, e, para alguns se tornou o pior dono de bar do mundo; também pudera, o prejuízo era demais para continuar como estava.
Não só o fator fiado mudou no dono do bar, e sim seu jeito de atender; acabou sendo um comerciante carrancudo, cara de poucos amigos e sem muita paciência com alguns fregueses.
Canudinho, papel toalha, guardanapo, copo descartável e sacolinha deixaram de aparecer no balcão. Ficavam escondidos e passaram a ser produtos de luxo. Refrigerante, salgadinho, ou qualquer outro produto teriam que ser consumidos sem o auxilio destes produtos.
Certo dia, precisamente em um domingo, apareceu um cidadão bem vestido, falando ao celular como se fosse um delegado de policia. Chegou ao bar dando ordens a seus subordinados que segurassem o meliante até sua chegada. Enquanto falava com um suposto policial no outro lado da linha, foi perguntando preço das mercadorias.
Sem parar de conversar e dando atenção ao comerciante, o golpista pediu cinco caixas de cerveja em lata, dois pacotes de carvão e um litro de conhaque, que prontamente o malandro ia colocando no carro que estava estacionado pouco a frente do estabelecimento.
O tempo foi passando e o homem sempre com mesma conversa; mandando chamar fulano, cicrano e beltrano que providenciasse logo um mandado de prisão para o vagabundo, segundo ele.
Nesse vai e vem, conversa vai, conversa vem, o dito cujo entrou no carro e deu o pinote. Bravonildo não conseguiu ver carro, a cor e muito menos as placas.
Com a lição, Bravorildo só vendia depois de ver a cor do dinheiro para pessoas estranhas.

Jornalista profissional (formado em Comunicação Social e Direito), radialista e cerimonialista. Escreve sobre política desde 1993. Fundador do Jornal Folha de Varginha e Blog do Madeira. Servidor municipal. Comendador do Mérito Legislativo de Minas Gerais. Diretor de Comunicação da ACIV (Associação Comercial de Varginha) e vice-presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Varginha). Foi membro da Academia Varginhense de Letras. Diretor da Abraço e do Voluntariado Vida Viva. Comentarista político da Rádio Clube de Varginha (99,3 FM). Organizador do livro “Narrativas de Nico Vidal”. Autor do livro “Causos da Política (acontecidos em Varginha)”. Apresenta o Blog ao Vivo e o Podcast Varginha em 1 minuto ou mais. Cozinha pra família nos finais de semana (às vezes fica bom). Cruzeirense.


























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