Em meio a esse cenário deprimente da música atual, com riffs ridículos e melodias idem, onde todos querem ser ou sertanejo universitário, piriguete ou aprendiz de traficante, eis que surge um fio de esperança.
Dirigindo o carro da minha esposa, acompanhava a playlist da bela. De repente, uma pancada no ouvido: Cássia Eller cantando Partido Alto ao vivo.
Bate a saudade, solto aqueles gritinhos ridículos de quem é frustrado por nunca ter sido cantor, e começo a contar a história da música, da cantora e da vez que a vi, grávida e loucaça, no palco do Maracanãzinho, em 1993, quando representei a Fundação Cultural do Município em um evento da Rede Ferroviária Federal.
Linda e paciente. Ela já tinha ouvido a mesma história mais de 10 vezes. Mas esperou eu terminar a tertúlia e informou ao desatento marido:
“Não é a Cássia Eller, é o filho dela”.
Corta pra um Marcus alucinado, ouvindo a música no talo, sem acreditar.
Chicão rasga a voz, em alguns momentos a modula talvez para gerar uma semelhança com o timbre materno.
Arrebenta.
Eu já tinha visto um vídeo dele, sem muita atenção. Ele estava em um bar e, no final da noite, subiu ao palco para dar uma canja.
Mas as músicas que me foram apresentadas, me fizeram voltar a ter crença na humanidade. No bom gosto. Na buniteza que existe na simplicidade.
Escuta
Pare o que estiver fazendo agora e clique aqui. Não, não é a Cássia Eller, parece né?
Depois, ouça All Star com o apaixonado Nando Reis, versão linda linda.
Sujeito de Sorte, do Belchior!
Menino Bonito, da Rita Lee (mais uma porrada).
Ouça ainda Mãe (linda homenagem à Maria Eugênia e Cássia, óia que trem bonito).
É um conforto aos maltratados ouvidos de quem gosta de boa música e que tem que se sujeitar ao que aí está.
Nostalgia
Sempre admirei Cássia Eller. A ponto de trocar um disco maravilhoso de Os Mulheres Negras pelo LP chutando o balde da cantora. A ponto de ler uma biografia recheada de loas e mal escrita por uma pessoa que nem conheceu a cantora.
Mesmo assim, tenho o distanciamento crítico para apontar, com folga de razão: Chico Chico, arregaça, menino. Mas não vai pro lado sombrio da força. Seja visceral, genuíno, sinta o que estiver cantando. Evite o caminho fácil. Assim como sua mãe. Assim seja.
P.S.: depois de escrever este texto, descobri que o cara lançou um disco. Tá no Youtube.

Jornalista profissional (formado em Comunicação Social e Direito), radialista e cerimonialista. Escreve sobre política desde 1993. Fundador do Jornal Folha de Varginha e Blog do Madeira. Servidor municipal. Comendador do Mérito Legislativo de Minas Gerais. Diretor de Comunicação da ACIV (Associação Comercial de Varginha) e vice-presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Varginha). Foi membro da Academia Varginhense de Letras. Diretor da Abraço e do Voluntariado Vida Viva. Comentarista político da Rádio Clube de Varginha (99,3 FM). Organizador do livro “Narrativas de Nico Vidal”. Autor do livro “Causos da Política (acontecidos em Varginha)”. Apresenta o Blog ao Vivo e o Podcast Varginha em 1 minuto ou mais. Cozinha pra família nos finais de semana (às vezes fica bom). Cruzeirense.


























Uma resposta
Esse garoto é um sucesso igual mãe, tem timbre semelhante, último lançamento foi vila do socego do Zé Ramalho, a gravação ficou genial.