A Batalha da Pista (BDP) é um movimento cultural, organizado por voluntários anônimos, realizado todos os domingos, às 19h, na pista de skate da rodoviária de Varginha.
Esse evento incentiva disputas e\ou batalhas de rimas, onde mestres de cerimônia (MCs) se enfrentam e a torcida auxilia na escolha de quem fez o melhor improviso.
Porém, essa iniciativa corre o risco de ser “extinta” por falta de apoio, tanto do público quanto do Poder Executivo do município.
Não podemos deixar de enxergar que o movimento potencializa o debate, o idealismo, além de fazer o uso saudável do espaço público e ainda fomentar a participação de jovens na democracia.
Por essas razões, devemos dar força para que não chegue ao fim, algo que leva esperança e felicidade para tantas pessoas.
As batalhas são abertas a pessoas de todos os gêneros e idades, para participar e assistir.
Se você quiser entender e conhecer de perto, aparece por lá!
Conheça a história
Tudo começou em 2016, quando um grupo começou fazer as rodas de rimas na Praça do ET (de frente à Concha Acústica), a “Batalha do ET”, que na época não era tão bem aceita pelas pessoas.
No começo eram discriminados, pois muitos não entendiam que aquilo era um movimento cultural, por conta de serem canções mais contundentes e, talvez por isso, marginalizadas.
A mudança de local se deu quando Yan (GN), Mateus Gandini (Gandini), Matheus Carvalho (Rizzo) e Luis Felipe Beneton (Grego) concluíram que a Praça Central não era uma boa escolha para cantar e se expressar com tranquilidade.
Foi aí que surgiu a ideia do novo endereço do movimento, a Pista de Skate Leandro Pulguinha. Daí o nome: Batalha da Pista.
De lá para cá, o evento tomou grande importância para a juventude periférica da cidade, se tornando um compromisso de domingo. Um patrimônio não reconhecido de Varginha.
Mesmo com as interferências, como pandemia e o tempo em que a pista ficou interditada para reforma, a batalha não perde sua força. A cada encontro reúne facilmente, no mínimo 100 pessoas.
Depoimentos
André:
“E aí, galera do Blog do Madeira! Tudo firmeza?
Aqui é o André Cruz (Cruuz) ou o Cruz da Satiricon Records®, pra quem já tá ligado no nosso rolê. E, falando sério, que satisfação enorme poder bater esse papo com vocês, a turma do blog que há anos manda ver nas notícias de Varginha e de todo o Sul de Minas.
Vamos direto ao ponto: o rap. Ah, o rap! Esse gênero que não é só música, é poesia, é protesto, é voz. E é exatamente nessa onda que nós surfamos. A ideia nasceu lá na Praça do Sapo e o que era só um sonho virou um movimento real de valorização do rap sul-mineiro. Temos um espaço para dar vazão ao talento da galera da região e projetos como Batalha da Pista e demais encontros de MCs , onde os próprios trocam ideias com feras do rap local, mostrando que nosso Sul de Minas tem muita rima e flow de sobra.
Marcus, mano, sabemos que você, com toda essa experiência de jornalista e com o alcance monstruoso do Blog do Madeira, entende bem a força que a música tem, especialmente o rap. A gente fica imaginando quantas histórias da nossa cena você já não esbarrou por aí, né?
Então é isso. O convite tá feito: bora conhecer mais sobre a BDP, escutar o que a nossa galera tem produzido e quem sabe até colar em alguma batalha pra sentir a vibe. Fica ligado nos sons emergentes da nossa região e dá aquele apoio pro rap sul-mineiro. Porque juntos, a gente faz a cena acontecer!
Rap me salvou e me salva todos os dias, conheci a Batalha por meio de amigos e desde então é minha vocação.
Um salve pra todos e até a próxima!”
Mateus Gandini:
Salve familia, meu nome e Mateus Gandini mais conhecido por apenas o meu sobrenome “Gandini”, sou um dos organizadores da Batalha da Pista, tenho 23 anos, trabalho como artista e nas horas vagas motorista de aplicativo.
Vou contar pra vocês um pouco sobre como eu conheci a arte do improviso. Eu tinha meus 13 anos quando tive meu primeiro contato com as batalhas de rima, onde eu vi e comecei a acompanhar alguns mestres de cerimônia que faziam tudo aquilo parecer ser muito fácil.
Minha primeira participação foi em 2014 na Batalha do Sapo, que acontecia na praça do Sapo e, desde então, me encantei e apaixonei pelo movimento, sempre estando por dentro de qualquer novidade que acontecia na cultura e também observando muito como era aquela roda de rimas, assim surgiu algumas ideias de como organizar um movimento destes.
Continuei participando dos eventos de batalhas, nas quais me geraram frutos e eu soube absorver aquela mensagem, participei de ligas sul mineiras, de seletivas regionais, seletivas municipais e batalhas da regiao. Tudo isso ne serviu para criar um movimento deste na nossa cidade tambem, onde a gente conseguiu formentar a cultura da nossa forma, através de palavras. A batalha da pista vem tomando uma proporção maior e maior a cada dia que se passa.
Eu acho que a batalha tem muita importância nas vidas nossas que estão em volta do movimento, pois foi através dela que eu encontrei uma cura pra problemas pessoais onde eu não me via bem, além de que a energia que o lugar passa e surreal, a gente emana de boas coisas.
Uma das melhores coisas e você ver que um movimento cultural salvou e salva várias vidas que podiam estar perdidas ou se perdendo que contrariamente preferem estar ali vendo aquilo acontecer, assim como foi comigo. Me inspirei vendo uma batalha e meio que foi um ensinamento de vida pra mim, não somente uma batalha de rima, mas sim um improviso pra vida, afinal de contas nossa vida sempre foi improvisada!”
Yan Costa:
“Salvee, Yan por aqui… mais conhecido como GN no ramo das Batalhas, Hahaha..
Eu estive presente na Batalha da Pista desde a sua origem, e me sinto feliz por ter feito parte da criação do movimento, de ter observado o movimento em decorrência e poder observar a grandiosidade que a Batalha da Pista tá se tornando nos dias de hoje!
Foram diversos atritos, diversos obstáculos para fazer o movimento parar de caminhar. Tivemos muitas pessoas contra a prosperidade de um movimento cultural de rua e independente, pelo fato de sempre nos associarem a apologia de uso alcoólico e de entorpecentes.
Mas estamos conseguindo quebrar essas barreiras e cada vez mais estamos alcançando um novo estágio de sucesso, reconhecimento e aprendizagem para as novas gerações que estão sendo abraçadas por nós!
Enfim, o nosso movimento tem como intenção incentivar o esporte, a educação e o conhecimento, e também conceder voz, representatividade e lazer pra toda população que se sente feliz com o nosso movimento.
É isso, agradecemos pela oportunidade de poder falar um pouco sobre a nossa cultura!”
Gabriel Mendes:
“Me chamo Gabriel Mendes, no meio das rodas de rima e na internet sou conhecido como Lil Benter.
Sempre consumi conteúdos de batalha pela internet desde 2018, porém eu não sabia que aqui na cidade também tinha um evento assim. Fui conhecer e comecei a participar das batalhas a partir de 2021 onde um amigo meu que também batalha me mostrou e me incentivou.
E pra mim como artista agregou muito na minha vida, pois a batalha me fez conseguir perder o medo de falar em público; fiz muitas amizades que agregaram demais para o meu ramo e também fui muito bem abraçado e acolhido.
Hoje sou a pessoa que grava os vídeos da nossa batalha aqui em Varginha, e o que me motiva é tentar inspirar cada vez mais o pessoal mais novo e tirar essa discriminação com a imagem das batalhas.”
Arthur Morais:
“Salve rapaziada meu nome Arthur Morais sou mais conhecido nas batalhas como Kota, eu batalho desde bem mais novo no Discord (aplicativo de comunicação) e rimava na internet.
Vi os eventos que tinha aqui em varginha de batalha e ficava fascinado com a coragem e a vontade que os MCs tinham de rimar, e queria isso pra mim.
Quando comecei nas batalhas eu só perdia, até que fui ganhando confiança perdendo o medo e hoje a batalha e como se fosse um salva vidas pra mim, como se tudo que eu precisasse era jogar uns verso fora e rimar com outro MC, a paz que esse lugar barulhento me traz e indescritível!”
Feminismo na Batalha
Infelizmente não conseguimos contato com nenhuma das meninas que participam do evento, mas as mulheres estão presentes em todos os encontros, tanto na plateia quanto nas disputas.
Inclusive, na última competição uma dos finalistas foi Pamela (Pam). A garota chega, se impõe, mostra seu talento e ainda deixa os machistas de boca aberta. Pam é uma participante geniosa e provou que no raciocínio lógico e no improviso, manda muito bem.
Além dela, muitas outras meninas rimam, se divertem e ainda ajudam nas votações.
Acompanhe a batalha de casa
Em todos os encontros são realizadas lives, apresentações ao vivo de forma on-line, no Instagram da BDP.
Além disso, eles ainda possuem um canal no Youtube, onde ficam os vídeos das últimas batalhas.
Dessa forma, todos conseguem acessar e assistir, mesmo que não tenha como comparecer no local.
Por trás dos bastidores
A Batalha da Pista nunca teve apoio político ou nada parecido, somente lojas de conhecidos (que patrocinam os brindes das premiações) ou os próprios frequentadores.
Por isso, um dos organizadores do movimento chegou até nossa equipe do BlogdoMadeira e solicitou uma ajuda, para que talvez, aparecesse alguma colaboração de membros e entidades culturais, vereadores e até mesmo da Prefeitura.
Essa colaboração desejada não seria de caráter financeiro, mas sim, um apoio para que esse movimento de voz não chegue ao fim.
Tomamos conhecimento também, que foi solicitada a troca de local da atividade em uma reunião não oficial, entre representantes públicos (comandante da GCM, setor de fiscalização e o secretário do esporte) e os responsáveis pela Batalha da Pista.
As justificativas do pedido foram: local inapropriado, vandalismo, consumo de bebidas alcoólicas e falta de regularização.
Em esclarecimento, os organizadores da BDP afirmaram que não apoiam e nem incentivam o vandalismo e o consumo de bebidas, pelo contrário, orientam.
Informaram ainda, que o local (destinado para o esporte) é cedido pelos próprios usuários, que por sinal, também são participantes. Disseram também que se trocarem de lugar, tudo, desde o nome, perde o sentido.
As devidas providências estão sendo tomadas para que a regularização ocorra mais rápido o possível.
O BlogDoMadeira pediu informações sobre o caso, na semana passada, para a Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal de Varginha, mas ainda não obteve retorno.
O espaço está aberto para o Município se manifestar.
Cultura:
O filósofo francês Michel Maffesoli criou o termo ‘tribos urbanas’ para nomear a diversidade de expressões artísticas e culturais da juventude contemporânea.
Um exemplo dessa diversidade seria o rap/ hip-hop e os vários estilos musicais presentes no nosso cotidiano.
Mas como estamos falando sobre a cultura do rap, vamos nos aprofundar…
O termo RAP significa: rhythm and poetry (ritmo e poesia).
Esse estilo musical foi consolidado ao longo da década de 1980 nas quadras de basquete do Bronx, bairro negro/latino de Nova Iorque e reúne dança, grafite, roupas, adereços e, especialmente, música.
Chegada ao Brasil:
No Brasil o Rap surgiu por volta de 1986, mais propriamente na cidade de São Paulo, mas naquela época não era bem aceita pelas pessoas em geral, pois era considerado um estilo de música violento e típico da periferia.
Somente na década de 90, que o rap ganhou força, com as rádios e a indústria fonográfica, que passa a dar mais atenção a este novo estilo de música.
Os primeiros rappers a terem sucesso foram o DJ Hum e Thayde. Depois deles vieram nomes como Racionais MCs, Planet HEmp, Pavilhão 9, Detentos do Rap, Cambio Negros, Xis & Dentinho e o Gabriel, O Pensador, que até hoje é uma referência incontestada.
Hoje em dia, o rap no Brasil está muito bem integrado no cenário musical, vencendo preconceitos e conseguiu passar da periferia para alcançar o grande público.



























