Segundo Dr. Anderson Coelho, presidente do Conselho Regional de Fisioterapia de Minas, precariedade de atendimento pode ser o grande problema enfrentado pelas pessoas carentes neste momento.
O frio chegou de forma intensa essa semana em todo o Estado. O alerta publicado nos últimos dias pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em relação à onda de baixas temperaturas para quase 100% das cidades mineiras se confirmou, atingindo a totalidade dos municípios, com o termômetro até no negativo em algumas localidades do Sul de Minas e geadas em diferentes regiões. O problema é que o frio sempre vem acompanhado de doenças respiratórias, alérgicas e resfriados, além da consequente precariedade no atendimento à população carente: é o que afirma Dr. Anderson Coelho.
“O agravamento do frio e tempo seco traz consigo o aumento drástico de casos de pacientes com problemas respiratórios. É o que vimos nesses três dias de baixa temperatura em Minas e em todo o Brasil. Em períodos como esse, percebemos uma ampliação de até 40% de doenças infecciosas e crises alérgicas, piorando enfermidades como a asma e bronquite. Em climas assim, as pessoas mudam seus hábitos, ficando mais tempo em ambiente fechado, com menor circulação de ar, reduzem a frequência com que lavam as mãos e tomam menos água. Tudo contribui para a disseminação de processos alérgicos e o aumento de sintomas respiratórios”, alertou o especialista.
Baixas temperaturas podem levar ao estreitamento dos brônquios (estruturas responsáveis por conduzir o ar até os pulmões) que em pessoas com doenças respiratórias crônicas também podem gerar agravamento e piora de sintomas já sentidos, bem como o surgimento de doenças inflamatórias respiratórias. Segundo Dr. Anderson, “o que se deve fazer neste período de frio intenso, além ficar atendo aos sintomas de quaisquer problemas respiratórios e gripais, e se agasalhar, é manter a boa alimentação e hidratação, lavar sempre as mãos, deixar os ambientes arejados, e, claro, manter a vacinação e medicações (para pacientes crônicos) em dia”.
Para ele, o crescimento do número de enfermos no período de frio dificulta o atendimento à população mais carente. “Essas pessoas têm encontrado mais dificuldades para serem atendidas, ficando sujeitas a longas filas, risco de contágio nos próprios hospitais e postos, à falta de atendimento por profissionais da saúde e medicamentos. O serviço público acaba mostrando a sua limitação e precariedade nos períodos mais frios, sobretudo quando ainda enfrentamos uma pandemia”.

Frio pode aumentar a transmissão do coronavírus?
Nas últimas semanas, já se percebe um aumento significativo da taxa de incidência de Covid em Minas Gerais. O número de casos em acompanhamento cresceu cerca de 50% em um mês. Números mais baixos que os dos picos do ano passado, mas um avanço que serve de alerta. Além do frio, a desobrigação do uso de máscaras em locais fechados e o consequente relaxamento da população em relação às medidas de proteção é o que preocupa.
“Baixas temperaturas com o ar seco podem facilitar a infecção, já que há um ressecamento das vias aéreas, o que provoca uma diminuição de secreção com anticorpos no corpo. Há uma grande preocupação com as crianças, com o perceptível aumento de casos de síndrome respiratória aguda grave entre elas nas unidades de pronto-atendimento, e a baixa cobertura vacinal, sobretudo entre o público de 5 a 11 anos, o qual apenas 52% possui a segunda dose”.
“Precisamos ficar atentos ao clima, tomar os devidos cuidados conosco e com nossas crianças. Neste momento, é importante voltarmos com as máscaras em locais fechados, evitar aglomerações e reforçar a higienização. Essencial também cobrar do poder público medidas sanitárias e de saúde pública mais eficazes, para cuidar não só das crianças e idosos, mas também de outros públicos vulneráveis, como moradores de rua, que se encontram em situações de extrema fragilidade, desassistência e desabrigo com o frio intenso”, concluiu.





























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Não acredito.
Por essa eu realmente não esperava.