No Pronto Atendimento

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Cinco horas nas salas de espera.

Na recepção, uma mãe chegou desesperada. Queria ver o filho dela que tinha sofrido um acidente. Um desespero teatral pelos gestos, visceral pela verdade.

– Se ele estiver morto, eu me mato!

Desmaiou. Gritou. Não era drama. É que, às vezes, o amor transborda doído demais.
Pouco antes, outra mãe e sua filha tinham recebido a notícia do pai dela ‘ter vindo a óbito’. A menina, grande e forte, consolava a ex-mulher que ali chorou umas lágrimas bem reais. Sofreram as informações sobre documentações e outras burocracias e saíram.

Pouco mais tarde estavam de volta. A filha queria ver o pai no quarto, como tinha feito durante o último mês. Ela, que acompanhou ele dia após dia. A mãe explicou que a menina tinha entrado em estado de choque. Mas acho que não era bem isso. Só o amor, de novo, transbordando na sua forma mais dolorida.

No corredor, dois moços tiveram uma sexta-feira diferente. Se revezaram em olhar a mãe, já bem idosa e tão frágil, tentando explicar pra ela o que estavam fazendo ali. Ela tinha chegado sem conseguir respirar direito. Com pouco jeito e muito carinho tentavam dar água pra ela conseguir fazer um exame.

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Um amor discreto ali no cantinho.
Ao nosso lado, um casal já mais de idade, juntinhos. O coração dele batendo fraco. Depois de voltar do eletro, com a memória já pequena do jeito que a idade deixa, perguntou se a mulher ia fazer exame. De repente, na mente, era ele que acompanhava a esposa, e não o contrário.

E, quando eles não puderam continuar juntos, ele indo para sala de emergência, ela implorou pro médico, numa dessas delicadezas que o amor tem:

– Cuida bem dele pra mim!

Quatro historiazinhas da vida de verdade. A doença, o acidente, o tempo, a morte estão um bocado fora do nosso controle. Mas num lugar onde ninguém quer estar na sexta à noite – nem em dia nenhum – acreditei que não estamos tão no fim do mundo assim. As pessoas ainda se importam com os seus…

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