No calor da paixão somos loucos, cegos, não pensamos, só queremos estar juntos, achamos que os únicos espaços, ouvidos e olhos do mundo são os nossos.
Procuramos o aconchego e o prazer, dane-se o tempo, vamos amar, se puder, sem parar, não pensamos nos efeitos, desprezamos as causas, aprontamos o absurdo, sem surtar, para arrependimento não há espaço, responsabilidade impensável, até que a vida, subitamente, nos separa.
No começo aliviamos a tensão, no decorrer do tempo sofremos a dor da saudade, até que, desgastados, chegamos ao fim, selamos às lembranças profundas, mas não o calafrio inevitável, nos reencontros inesperados, já que não há clima para encontros marcados.
Vivemos em linhas paralelas, sabemos que jamais cruzaremos por iniciativa própria, a não ser que o destino nos pregue uma peça. E se acontecer?
A vida é um palco que, eventualmente, muda de endereço, não deixamos de representar jamais – é a lei social da sobrevivência – portanto, se subirmos neste palco novamente – nada será igual – até mesmo a antiga plateia, será substituída ou se restou parte, talvez, não nos reconhecerá, porque nossa presença não brilhará.
Encontros e desencontros são inevitáveis e inexplicáveis, sabemos que numa desenfreada paixão, onde os corpos se encaixam perfeitamente, sem vácuos e saliências, pode virar um grande e indelével amor, mas, um amor jamais se tornará uma paixão e paradoxalmente, uma amizade pode se tornar um amor com uma branda atração, apenas duradoura, de dura rotina que aguentamos calados.
Todos que tiveram ou têm ligações, poderão viver o presente e o futuro, em se separando, ficando lembranças de um passado recente, foi uma convivência prazerosa, se o passado parecer longínquo é porque não houve nada a não ser coexistência inexpressiva.
O amor perfeito equipara-se a amizade, eternizando-se; o amor inesquecível é o dos apaixonados que só pensam na lascívia misturada com possessão, prazer e ciúmes inesgotáveis, lamentável é sua efemeridade, mas lembramos dele como um troféu adornado de emoções incomparáveis – nunca haverá um igual, nem se procurarmos com candeeiro ou até mesmo dinheiro.
A ilusão de apenas “ficar” pode ser eloquente, porém deprimente, pois, a trivialidade não é fácil de ser recordada, não se acha razão, afinal, sequer precisou de sedução, por isto, hoje, alguns enlaces são de curta duração; não há mais surpresas; a beleza está descoberta à mercê de olhos estranhos, o desejo se torna comum e em vão, uma vez revelados os segredos, não haverá surpresas na degustação, sobrando apenas a prática universal da luxúria, mecanicamente desprovida de emoções.
Pensemos, não precisamos de razão para amar, entretanto, sem razão, ficamos perdidos no caminho que escolhemos, sem saber se encontraremos a luz ou a escuridão.
Não viva em vão, temos que dar sentido a nossa vida, amando, para iluminarmos nossa inevitável missão. E não há vida sem tesão de viver, por isto encontramos sorrisos bailando nos lábios de quem nos parece não ter motivos de estar vivo – enganamos – se ainda existe marcas da saudade no coração.
Luiz Fernando Alfredo





















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Um texto para o autor comemorar o 12 de junho com Bolsonaro !!!
Lindo de ler !!