A Polícia Civil está investigando a morte de cães com suspeita de contaminação após comerem petiscos da marca Bassar. Todos os cachorros eram animais de pequeno porte.
Segundo a delegada responsável pelo caso, Danúbia Quadros, são seis mortes em Belo Horizonte, uma em Piumhi (MG), e duas em São Paulo. Ainda há outros seis casos suspeitos em BH e dois em Goiás, onde os cães passaram mal ou estão internados.
Depois que tutores de oito cães denunciaram que seus pets começaram a passar mal depois de ingerir os petiscos, a perícia da Polícia Civil de Minas Gerais recebeu amostras dos produtos.
Até essa terça-feira, 30 de agosto, a Polícia investigavam quatro mortes e cinco internações.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, órgão responsável por retirar os petiscos de comercialização, recebeu a denúncia e também investiga o caso.

Causa e sintomas
Um laudo preliminar foi feito por veterinários da UFMG em um dos cães. O exame de necropsia identificou lesões renais graves, que teriam associação a alterações clínicas e metabólicas que causaram a morte.
Este primeiro relatório indicou uma intoxicação por etilenoglicol. A investigação, porém, não pode afirmar se os outros cães mortos também se contaminaram pela substância.
Segundo a delegada, os cachorros apresentaram cansaço repentino, desconforto abdominal, diarreia, vômito e convulsões.
Tutores que identificarem mal-estar ou que internaram seus pets após a ingestão de petistos devem informar a Polícia para investigação.

Relatos
O cãozinho do motorista Diego Carlos Dias está internado em estado grave em BH. Segundo o tutor, ele comprou o petisco numa sexta-feira e ofereceu pro seu pet, um spitz alemão. No dia seguinte, o cachorrou apresentou vômito e diarreia.
“Eu peguei e corri com ele para o veterinário. O veterinário avaliou e falou: ‘Internação agora’. Agora, ele está fazendo uma transfusão de sangue. Não sei se vai viver”, contou Diego.
A médica veterinária Júlia Mathias era tutora do Jon Snow, da raça spitz alemão. Ele teve que passar por vários tratamentos, inclusive por hemodiálise, mas não resistiu. O cãozinho morreu por insuficiência renal.
John Snow, um cão também da raça spitz alemão, passou por vários tratamentos, inclusive hemodiálise, mas não resistiu. Ele faleceu por insuficiência renal.
Segundo a tutora, a médica veterinária Júlia Mathias, o animal ficou bem desanimado apos ingerir o petisco. No dia seguinte, ele já não aceitava alimentação, sentia dor abdominal e apresentava vômito e diarreia.
“Então, eu, como sou veterinária, logo levei ele para atendimento porque eu percebi que ele estava com muito desconforto”, contou.
Em outro caso em BH, a advogada Silvia Valamiel ofereceu os petiscos aos seus quatros spitz alemães, Bud, Wals, José e Stela, e ao seu pinscher Julieta. Os cães apresentaram insuficiência renal e tiveram de ser internados.
José, Stela e Julieta sobreviveram. Seus “irmãos” Bud e Wals, porém, não resistiram e vieram a falecer. Suas tutoras pensam em levar o caso à Justiça.

Os produtos
Os petiscos identificados até o momento são: Dental Care, Every Day e Petz Snack Cuidado Oral. Todos de fabricação da empresa Bassar.
A Polícia já notificou a empresa através de carta precatória para prestar esclarecimentos. A fábrica responsável pela fabricação dos petiscos fica na cidade de São Paulo.
Os responsáveis da fábrica terão que informar detalhadamente os processos de produção e os produtos da composição dos alimentos.
Posicionamento da fabricante e da empresa
Nota da fabricante:
“A Bassar Pet Food informa que enviou os produtos citados para análise no laboratório no Centro de Qualidade Analítica, cujo resultado deve ser divulgado nos próximos dias. Por precaução, a companhia iniciou a retirada do mercado do lote 3554 do produto Everyday.
A empresa informa que vem tomando todas as providências para esclarecimento do fato desde o dia em que recebeu o primeiro relato de possível intoxicação. A Bassar reforça que não há nenhum laudo conclusivo sobre a causa das mortes dos cães e está segura da excelência e da segurança de seus processos de fabricação.
Funcionários do Ministério da Agricultura realizaram inspeção na empresa em diferentes ocasiões nos últimos dias e atestaram que a fábrica atende a todos as normas de segurança alimentar e de produção. Os laudos do MAPA comprovam ainda que não há contaminação na linha de produção.
A companhia não utiliza e nunca utilizou o etilenoglicol na fabricação de nenhum de seus produtos. O propilenoglicol utilizado é um aditivo alimentar presente em alimentos humanos e animal em todo o mundo. A Bassar adquire esses insumos de empresas idôneas e devidamente registradas no MAPA.
Em seus 5 anos de história, a Bassar Pet Food jamais passou por situação semelhante, se solidariza com a dor dos tutores e reforça a confiança nos processos de fabricação, além de reiterar que preza pela qualidade de seus produtos e pelo bem-estar e satisfação de seus clientes.”
Nota da distribuidora:
“Imediatamente, quando do fato noticiado, envolvendo o produto SNACK EVERY DAY SABOR FIGADO da marca Bassar (fabricante e distribuidor) acerca de casos de intoxicação, o Grupo Petz retirou voluntariamente os produtos dos pontos de vendas da rede, notificando a empresa Bassar para ciência e providências, bem como colocou-se prontamente à disposição para colaborar com apuração dos fatos. A Petz informa ainda que retirou preventivamente das lojas um outro produto – o Snack Cuidado Oral – Hálito Fresco, para análise.
Procurada pelas autoridades, o Grupo Petz reitera estar acompanhando e colaborando com as apurações dos órgãos competentes e aguardando os esclarecimentos do fabricante, que por sua vez aguarda análises técnicas de órgãos reguladores para o tipo de produto.”




























